📅 05 maio 2026

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Documentos produzidos pela gestão Bruno Reis mostram o que o prefeito tenta esconder: Salvador tem atenção básica insuficiente e isso pressiona as UPAs

A Secretaria da Saúde do Estado vem esclarecer informações divulgadas pelo prefeito Bruno Reis, que não correspondem à real situação da saúde pública de Salvador. E o faz baseada em documentos produzidos pela própria Prefeitura.

O Plano Municipal de Saúde (PMS) 2022-2025 e a versão preliminar do PMS 2026-2029 registram, com detalhamento técnico e territorial, o que a gestão municipal tenta negar no discurso: Salvador ainda convive com cobertura insuficiente da atenção básica, vazios assistenciais em distritos periféricos e uma rede de média e alta complexidade con centrada nas áreas centrais da cidade.

Cajazeiras é o exemplo mais nítido desta situação, porque coloca endereço, nome de unidade e dado clínico na falha do município. A própria Prefeitura identificou vazios assistenciais em Águas Claras, Cajazeiras VI, Cajazeiras VIII e Cajazeiras XI. Foi ela mesma que listou os problemas nas USFs Fazenda Grande, Fazenda Grande III, Yolanda Pires e Cajazeiras XI: ausência de apoio multiprofissional, gestantes não captadas a tempo, pré-natal do parceiro e odontológico inexistentes, e crianças com baixo peso e desnutrição.

Quando o prefeito Bruno Reis busca culpar a regulação estadual pela superlotação das UPAs, não enfrenta a causa, mas a consequência. A superlotação não começa no Estado. Começa quando a rede municipal não cobre adequadamente o bairro, não acompanha a família, não garante exame nem consulta em tempo oportuno, levando a população a buscar a urgência como primeira resposta.

O PMS 2026-2029 registra que a rede de média e alta complexidade está concentrada na Barra, Rio Vermelho, Brotas e Centro Histórico, enquanto Cajazeiras, Boca do Rio e Subúrbio Ferroviário têm baixa oferta local. O diagnóstico é claro: Salvador tem serviços concentrados em determinados territórios.

Entre crianças de 0 a 10 anos, mais da metade das internações por condições sensíveis à atenção primária se concentram em:

  • Infecções de pele (20,78%)
  • Pneumonias bacterianas (17,54%)
  • Bronquites (17,17%)

O próprio documento aponta a necessidade de reforçar a prevenção, qualificar o manejo das síndromes respiratórias e aprimorar a vigilância em saúde.

Na cobertura de Agentes Comunitários de Saúde, Salvador passou de 27,83% em 2015 para 31,66% em 2024, ritmo considerado lento. A comparação com outras capitais evidencia o problema:

  • Fortaleza: 47,02%
  • Belo Horizonte: 57,76%
  • Recife: 83,45%

O ACS é essencial, pois realiza busca ativa, visita domiciliar e acompanhamento territorial, e Salvador ainda tem menos de um terço da cobertura.

A comparação com Fortaleza reforça o atraso: cidades com população semelhante, mas Fortaleza possui 10 hospitais e maternidades municipais, enquanto Salvador tem apenas dois hospitais municipais e só inaugurou sua primeira maternidade em 2026, após 13 anos.

Outro dado relevante: o Estado opera quatro unidades de saúde em Cajazeiras, enquanto a prefeitura não mantém sequer uma UPA na região. Em toda Salvador, são 39 unidades estaduais, incluindo 16 hospitais e seis maternidades.

A Sesab questiona: Se a rede municipal funciona tão bem, por que os próprios documentos da Prefeitura apontam vazios assistenciais, falhas estruturais e baixa oferta em áreas populosas?

E mais: Por que Fortaleza possui uma rede municipal robusta enquanto Salvador depende fortemente do Estado? A resposta está nos próprios documentos que o prefeito prefere silenciar.

por redação

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