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O salário mínimo nacional passa a ser de R$ 1.621 a partir desta quinta-feira (1º). O novo valor representa um reajuste de 6,79% em relação ao piso anterior, de R$ 1.518, e reflete a inflação acumulada medida pelo INPC em 12 meses até novembro, somada a um ganho real limitado pelas regras do arcabouço fiscal.
A mudança impacta diretamente trabalhadores formais, aposentados e beneficiários de programas sociais vinculados ao mínimo, além de gerar reflexos indiretos na economia.
O que é o salário mínimo e por que ele é relevante
O salário mínimo é o menor valor legal que pode ser pago a um trabalhador formal no Brasil. Ele é definido por lei federal e tem como objetivo assegurar condições mínimas de subsistência.
A Constituição Federal determina que o salário mínimo deve ser capaz de atender às necessidades vitais básicas do trabalhador e de sua família, como moradia, alimentação, saúde, educação, transporte e previdência, além de preservar o poder de compra por meio de reajustes periódicos.

Referência direta para 59,9 milhões de pessoas
Segundo o Dieese, o salário mínimo é referência direta para 59,9 milhões de brasileiros, incluindo:
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trabalhadores que recebem exatamente um salário mínimo;
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aposentados e pensionistas do INSS;
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beneficiários do BPC e do seguro-desemprego;
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trabalhadores com rendimentos atrelados ao piso nacional.
Esse alcance transforma o reajuste do mínimo em uma política de impacto social amplo, com reflexos no consumo, na renda das famílias e na movimentação do comércio local.
Como o governo chegou ao valor de R$ 1.621
O cálculo considerou:
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Inflação pelo INPC até novembro: 4,18%;
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Crescimento real do PIB de 2024: 3,4%, limitado a 2,5% pelo arcabouço fiscal.
Assim, o reajuste combinou inflação com ganho real, respeitando o teto fiscal, o que levou ao valor final de R$ 1.621.
O valor ficou abaixo do previsto inicialmente no Orçamento (R$ 1.631) e da projeção de novembro do governo (R$ 1.627), porque a inflação efetiva foi menor do que o estimado.
Impacto nas contas públicas
O reajuste também aumenta os gastos do governo federal. A cada R$ 1 de aumento, a despesa pública cresce cerca de R$ 420 milhões por ano.
Com um aumento de R$ 103, o impacto total estimado é de aproximadamente R$ 43,2 bilhões nas despesas obrigatórias em 2026, especialmente na Previdência Social e nos benefícios assistenciais.Avanço para a comunidade
O novo salário mínimo amplia o poder de compra, protege a renda dos mais vulneráveis e fortalece a economia local. Mesmo com limites fiscais, o reajuste preserva o papel social do mínimo como instrumento de dignidade, proteção social e estímulo ao consumo responsável.
Por, Clóvis Kallycoffen (DRT:7412/DF)



