Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Os trabalhadores que mantinham saldo em contas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) em 31 de dezembro de 2025 receberão uma nova distribuição dos lucros do fundo. O Conselho Curador do FGTS autorizou o repasse de R$ 13,04 bilhões, valor referente a 89% do resultado positivo obtido pelo fundo no exercício de 2025.
A medida foi oficializada por meio da Resolução CCFGTS nº 1.157, publicada no Diário Oficial da União nesta quinta-feira (30). Ao todo, cerca de 138,2 milhões de trabalhadores serão beneficiados com o crédito, que será realizado automaticamente pela Caixa Econômica Federal.
De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego, os depósitos devem começar na primeira quinzena de agosto, com prazo legal para conclusão até 31 de agosto de 2026.
Quem tem direito
Receberão a distribuição todos os trabalhadores que possuíam saldo positivo em pelo menos uma conta vinculada do FGTS em 31 de dezembro de 2025, independentemente de a conta ser ativa, vinculada ao emprego atual, ou inativa, referente a vínculos empregatícios anteriores.
O cálculo é feito separadamente para cada conta que apresentava saldo na data de referência.
Como calcular quanto será recebido
O Conselho Curador definiu o índice de 0,01868341 para a distribuição deste ano.
Para estimar o valor do crédito, basta multiplicar o saldo existente em cada conta do FGTS em 31 de dezembro de 2025 por esse índice.
Veja alguns exemplos:
- Saldo de R$ 1.000: crédito aproximado de R$ 18,68;
- Saldo de R$ 5.000: cerca de R$ 93,42;
- Saldo de R$ 10.000: aproximadamente R$ 186,83.
Quem possui mais de uma conta receberá o valor correspondente em cada uma delas.
Como consultar o crédito
Não será necessário fazer qualquer solicitação. O valor será creditado automaticamente na conta do FGTS.
Após o processamento, o trabalhador poderá verificar a movimentação pelo aplicativo FGTS ou, no caso dos clientes da Caixa Econômica Federal, também pelo internet banking.
No extrato, o lançamento deverá aparecer com a descrição:
“AC CRED DIST RESULTADO ANO BASE 12/2025”.
O dinheiro poderá ser sacado?
Apesar de aumentar o saldo disponível na conta do FGTS, a distribuição dos lucros não libera saque imediato.
O trabalhador continuará podendo retirar os recursos apenas nas situações previstas em lei, como:
- demissão sem justa causa;
- aposentadoria;
- compra da casa própria;
- saque-aniversário;
- doenças graves e demais hipóteses previstas na legislação.
Outro ponto importante é que o valor recebido com a distribuição dos resultados não integra a base de cálculo da multa rescisória de 40% paga pelo empregador em caso de demissão sem justa causa.
Rentabilidade acima da inflação
Com a distribuição dos lucros, a rentabilidade total das contas do FGTS em 2025 chegará a 6,9%, considerando a remuneração tradicional do fundo (TR + 3% ao ano) somada à parcela dos resultados distribuídos.
O rendimento supera a inflação oficial do país, medida pelo IPCA, que encerrou 2025 em 4,26%, garantindo ganho real aos trabalhadores.
Segundo o Ministério do Trabalho, a distribuição acrescenta cerca de 1,87% à remuneração anual das contas do FGTS.
Fundo bate recordes em 2025
O balanço aprovado pelo Conselho Curador mostra que o FGTS registrou, em 2025, os melhores resultados de sua história.
A arrecadação alcançou R$ 212,56 bilhões, superando os R$ 192,5 bilhões registrados em 2024. Os saques também cresceram e totalizaram R$ 190,4 bilhões, alta de 18,3% em relação ao ano anterior.
Entre as modalidades de saque mais utilizadas pelos trabalhadores estão:
- rescisão contratual e multa rescisória;
- saque-aniversário;
- aquisição da casa própria;
- aposentadoria.
O patrimônio líquido do fundo também avançou, chegando a R$ 126 bilhões, enquanto os ativos alcançaram R$ 837,7 bilhões, impulsionados pelas operações de crédito e investimentos realizados pelo FGTS.
Embora o valor total distribuído em 2026 seja superior ao do ano passado, o índice utilizado para calcular o crédito foi menor. Em 2025, referente ao lucro de 2024, foram distribuídos R$ 12,9 bilhões, com coeficiente de 0,02042919, equivalente a aproximadamente R$ 20,43 para cada R$ 1 mil de saldo existente nas contas.
Por, Clóvis Kallycoffen



