Foto: Erickson Araujo
Documento entregue à Justiça Eleitoral reúne propostas para um novo mandato, mas não detalha cronogramas, custos ou metas numéricas para a maioria das ações.
O governador da Bahia e candidato à reeleição, Jerônimo Rodrigues (PT), protocolou junto à Justiça Eleitoral seu programa de governo para as Eleições 2026. Intitulado “13 Compromissos Estratégicos para a Bahia: um governo democrático, popular, sustentável e de futuro”, o documento apresenta as principais diretrizes que deverão nortear um eventual novo mandato, contemplando áreas como educação, saúde, segurança pública, desenvolvimento econômico, infraestrutura, sustentabilidade, políticas sociais e modernização da gestão pública.
Com 16 páginas, o plano foi entregue como parte do processo de registro da candidatura, que pode ser consultado no sistema DivulgaCandContas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Até a última atualização divulgada pela Justiça Eleitoral, o pedido de registro permanecia em análise. Conforme o calendário eleitoral, os pedidos de registro devem ser apreciados pela Justiça Eleitoral após sua apresentação oficial pelos partidos e coligações.
Educação em tempo integral é uma das principais promessas
Na área da educação, o programa estabelece como principal objetivo a universalização do ensino em tempo integral em toda a rede estadual.
Segundo a proposta, a ampliação da jornada escolar deverá ser acompanhada de atividades culturais, esportivas, científicas e de formação cidadã, além da continuidade da valorização dos profissionais da educação.
O documento também prevê articulação com o Governo Federal para ampliar a presença do ensino superior no interior da Bahia, com novos campi universitários e institutos federais distribuídos pelos Territórios de Identidade.
Outra diretriz apresentada é o apoio aos municípios para construção de creches e fortalecimento da educação básica.
Apesar disso, o plano não informa:
- quantas escolas passarão ao tempo integral;
- quantas novas unidades deverão ser construídas;
- prazos para conclusão das metas;
- volume de investimentos previstos.
Saúde aposta na regionalização e ampliação da rede especializada
Na saúde, Jerônimo propõe fortalecer a regionalização dos serviços, buscando reduzir a necessidade de deslocamento dos pacientes para grandes centros.
Entre as prioridades estão:
- ampliação dos Centros Especializados em Reabilitação (CER);
- fortalecimento da rede de oncologia;
- expansão dos serviços de urgência e emergência;
- fortalecimento da saúde mental;
- ampliação do atendimento às pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA);
- retomada das coberturas vacinais em todos os municípios.
O documento também destaca políticas voltadas ao envelhecimento da população, integrando ações entre saúde e assistência social.
Como balanço da gestão atual, o plano cita a entrega de hospitais e ampliação de serviços de alta complexidade, embora não detalhe quais novas unidades seriam implantadas em um eventual segundo mandato.
Segurança pública prioriza combate ao crime organizado
Na segurança pública, uma das principais propostas é reduzir os índices de Mortes Violentas Intencionais (MVI).
O plano prevê:
- fortalecimento da inteligência policial;
- integração entre as forças estaduais e federais;
- combate à lavagem de dinheiro;
- recuperação de ativos ligados ao crime organizado;
- criação de uma Plataforma Estadual Integrada de Dados para auxiliar investigações e planejamento operacional.
Outra proposta é construir, em parceria com o Governo Federal, novos presídios de segurança máxima destinados ao isolamento de lideranças de organizações criminosas, buscando impedir a comunicação desses presos com grupos criminosos.
O programa também promete:
- realização de concursos públicos;
- capacitação permanente dos profissionais da segurança;
- fortalecimento das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher;
- expansão das ações do programa Bahia pela Paz.
O documento, entretanto, não informa quantas unidades prisionais seriam construídas nem os investimentos previstos.
Desenvolvimento econômico mira interiorização e geração de empregos
Na economia, o programa propõe ampliar o desenvolvimento regional por meio do fortalecimento das cadeias produtivas da Bahia.
Entre as prioridades aparecem:
- agricultura familiar;
- agronegócio;
- indústria;
- economia criativa;
- turismo;
- tecnologia;
- micro e pequenas empresas;
- cooperativismo.
A proposta prevê investimentos em ciência, inovação e qualificação profissional, com parcerias envolvendo universidades, Sistema S e prefeituras.
Também há previsão de incentivo às exportações e agregação de valor à produção baiana.
No entanto, o plano não apresenta metas de geração de empregos, volume de investimentos ou setores prioritários por região.
Semiárido e sustentabilidade
As propostas ambientais ocupam um dos eixos estratégicos do programa.
O documento prevê:
- combate ao desmatamento ilegal;
- recuperação de nascentes;
- enfrentamento da desertificação;
- ações contra os efeitos das mudanças climáticas;
- ampliação das tecnologias de convivência com a seca.
Entre essas tecnologias estão:
- cisternas;
- barragens subterrâneas;
- sistemas de armazenamento de água.
O plano também defende uma transição energética baseada na expansão das energias renováveis, destacando o potencial baiano para:
- energia solar;
- energia eólica;
- hidrogênio verde.
Apesar disso, não há metas de capacidade instalada nem previsão dos investimentos necessários.
Infraestrutura mantém foco em grandes obras
Na área de infraestrutura, o programa reafirma o compromisso de continuidade de grandes empreendimentos estaduais.
Entre eles:
- VLT do Subúrbio de Salvador;
- Ponte Salvador–Itaparica;
- pavimentação de rodovias estaduais;
- melhoria dos acessos a comunidades rurais, indígenas e quilombolas.
Outra proposta é ampliar o acesso à internet gratuita em espaços públicos, escolas, unidades de saúde e comunidades mais afastadas.
O documento não especifica quais municípios serão contemplados nem apresenta cronograma das obras.
Política estadual de cuidados
Uma das novidades do programa é a criação de uma Política Estadual de Cuidados, voltada para:
- crianças;
- idosos;
- pessoas com deficiência;
- pessoas em situação de rua;
- trabalhadores do cuidado.
O plano também menciona ações de redução de danos relacionados ao uso abusivo de álcool e outras drogas, além da valorização das trabalhadoras domésticas e políticas voltadas ao bem-estar animal.
Contudo, o documento não informa como essas ações seriam implementadas nem as fontes de financiamento.
Juventude, mulheres e igualdade racial
Outro eixo reúne políticas para juventude, mulheres e promoção da igualdade.
As propostas incluem:
- incentivo ao primeiro emprego;
- acesso à cultura, esporte e tecnologia;
- prevenção da violência;
- fortalecimento da saúde mental;
- combate ao racismo;
- enfrentamento ao feminicídio;
- proteção aos povos indígenas, comunidades quilombolas e tradicionais;
- fortalecimento da liberdade religiosa.
Embora o documento trate dessas diretrizes, não estabelece metas quantitativas para programas específicos.
Gestão pública e participação popular
Na administração estadual, Jerônimo pretende ampliar mecanismos de participação social por meio de:
- Programa de Governo Participativo;
- Plano Plurianual Participativo;
- conferências;
- conselhos estaduais.
Também estão previstas ações de transformação digital, governança de dados, monitoramento em tempo real de investimentos e modernização da administração pública.
O plano ainda promete novos concursos públicos, formação continuada dos servidores e retomada de progressões funcionais.
Programa apresenta diretrizes, mas poucas metas objetivas
Embora reúna propostas para diversas áreas da administração estadual, o programa de governo possui caráter predominantemente estratégico.
A maior parte das iniciativas é apresentada como diretriz geral, sem detalhamento sobre:
- custos;
- cronogramas;
- fontes de financiamento;
- indicadores de desempenho;
- metas quantitativas;
- distribuição regional dos investimentos.
Esse formato é permitido pela legislação eleitoral, que exige a apresentação de um programa de governo pelos candidatos ao Executivo, mas não determina um modelo padronizado de detalhamento. Os documentos ficam disponíveis para consulta pública no sistema DivulgaCandContas da Justiça Eleitoral.
Por, Clóvis Kallycoffen



