Foto: Divulgação/Infra S.A.
Trecho de 35,75 quilômetros recebe investimento de R$ 467,9 milhões e deve ser concluído em 2029 após superar entraves ambientais e técnicos
As obras de um dos trechos mais estratégicos da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol 2) foram oficialmente iniciadas entre os municípios de Guanambi e Caetité, no sudoeste da Bahia. Com 35,75 quilômetros de extensão, o segmento integra o Lote 05FC e representa uma etapa importante para a continuidade de um dos maiores projetos ferroviários do Brasil.
Segundo a Infra S.A., empresa pública vinculada ao Ministério dos Transportes, o canteiro de obras já foi implantado, a mobilização da construtora está em andamento e os primeiros projetos destinados às obras de arte especiais já receberam aprovação técnica. A previsão é que os trabalhos sejam concluídos em 2029.
O trecho será executado pelo Consórcio A.Gaspar/Vipetro, contratado em março de 2026 por meio de um contrato integrado no valor aproximado de R$ 467,9 milhões. Nesse modelo, o mesmo consórcio é responsável pela elaboração dos projetos básico e executivo, além da execução das obras, proporcionando maior agilidade ao empreendimento.
Traçado foi alterado para preservar a Barragem de Ceraíma
A retomada das obras encerra um longo período de paralisação provocado por desafios técnicos, ambientais e geológicos. O projeto original previa a passagem da ferrovia nas proximidades da Barragem de Ceraíma, importante estrutura hídrica responsável pelo abastecimento do Perímetro Irrigado de Ceraíma e integrante do Sistema Adutor do Algodão.
Após novos estudos, o traçado foi redesenhado, afastando a linha férrea da barragem e da comunidade de Ceraíma. A mudança reduziu riscos ambientais, riscos geológicos e possíveis impactos sobre as áreas habitadas, permitindo que o empreendimento voltasse a atender às exigências do licenciamento ambiental.
Além das adequações ambientais, este é considerado um dos trechos mais complexos de toda a Fiol 2, exigindo obras especiais de engenharia, como a construção de viadutos, estruturas de contenção e outras intervenções para garantir a segurança da ferrovia.
Recursos estão garantidos até o fim de 2026
De acordo com o diretor de Empreendimentos da Infra S.A., André Ludolfo, todos os contratos atualmente em execução possuem recursos orçamentários assegurados até o final de 2026, garantindo a continuidade das obras no curto prazo.
Segundo o diretor, o principal desafio agora é manter contratos sólidos, superar definitivamente os entraves socioambientais e evitar novas paralisações, que marcaram o histórico da ferrovia ao longo dos últimos anos.
A expectativa do Governo Federal é que os empreendimentos já iniciados continuem tendo prioridade na destinação dos recursos da União.
Entraves ambientais começam a ser superados
Desde 2023, a Infra S.A. vem trabalhando para solucionar os principais obstáculos que impediam o avanço da ferrovia. Na época, cerca de 74 quilômetros da Fiol 2 estavam bloqueados por questões ambientais, fundiárias, espeleológicas e relacionadas a comunidades tradicionais.
Até o momento, aproximadamente 46 quilômetros já foram liberados após alterações de projeto, obtenção de licenças ambientais e negociações com comunidades locais. Outros 28 quilômetros ainda dependem de soluções e deverão ser liberados até o final de 2026 ou ao longo de 2027.
Entre os principais desafios estão áreas com cavernas de máxima relevância, protegidas pela legislação ambiental, além de acordos celebrados com comunidades quilombolas, que permitiram destravar trechos paralisados havia mais de dez anos.
Ferrovia fortalecerá a logística da Bahia
Com aproximadamente 485 quilômetros de extensão, a Fiol 2 ligará Caetité ao município de Barreiras, formando um importante corredor logístico para o transporte de cargas no interior baiano.
A ferrovia foi projetada para o escoamento de minério de ferro, soja, milho, algodão e outras commodities produzidas na Bahia e na região do Matopiba, reduzindo a dependência do transporte rodoviário e diminuindo significativamente os custos logísticos.
A capacidade estimada é de até 50 milhões de toneladas por ano, consolidando um novo eixo de desenvolvimento econômico e de transporte para a Bahia.
Novos trilhos e novos contratos
Além da retomada das obras entre Guanambi e Caetité, a Infra S.A. pretende iniciar ainda neste segundo semestre a instalação de aproximadamente 50 quilômetros de trilhos em outros segmentos da ferrovia.
A empresa também trabalha para publicar, até o final de 2026, o edital das obras do Lote 7, com cerca de 160 quilômetros de extensão. A previsão é que o contrato seja assinado no primeiro semestre de 2027, permitindo que toda a Fiol 2 passe a contar com contratos ativos de execução.
Projeto integra corredor ferroviário nacional
A Fiol é composta por três grandes trechos. A Fiol 1 ligará Ilhéus a Caetité; a Fiol 2, Caetité a Barreiras; e a futura Fiol 3 conectará Barreiras a Mara Rosa (GO), onde haverá integração com a Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico) e a Ferrovia Norte-Sul.
Quando totalmente concluído, o corredor ferroviário permitirá uma ligação estratégica entre o interior do país e o litoral baiano, por meio do Porto Sul, em Ilhéus, ampliando a competitividade da produção nacional e fortalecendo a infraestrutura logística brasileira.
Apesar dos avanços registrados em 2026, a conclusão integral do projeto ainda dependerá da continuidade dos investimentos públicos, do cumprimento dos cronogramas de obras e da superação dos desafios regulatórios que envolvem os demais trechos da ferrovia.
Por, Clóvis Kallycoffen



